COP-30

Imagem ilustrativa da COP-30 em Belém do Pará, destacando a relação entre cultura, sustentabilidade e impacto social. Inclui elementos visuais da floresta amazônica, diversidade étnico-racial e ícones dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Três coisas para a gente ficar ligado durante a COP-30 — além das manchetes e das trends

1. Os Fundos
Grande parte das discussões nesta COP gira em torno da efetivação de investimentos de países ricos em países em desenvolvimento. Assim como o Fundo para as Florestas Equatoriais — proposto pelo Brasil e que deve receber financiamento de diversos países, inclusive da China —, outros fundos já existentes podem ser reforçados, e novos podem surgir durante ou após a COP-30.
Vale ficarmos atentos a esses fundos, pois eles funcionam por meio da submissão de projetos: não realizam ações diretas, mas selecionam iniciativas de pessoas e organizações. Projetos que articulam impacto social, sustentabilidade, governança e saúde holística (individual e planetária) estão profundamente alinhados ao tipo de investimento que esses fundos pretendem apoiar. O campo da cultura com impacto social tem, portanto, muito a dialogar com esse movimento global.

Um exemplo concreto que merece atenção é o Swedfund (Suécia) — instituição de financiamento de desenvolvimento que atua como agência de investimento em países em desenvolvimento. A missão da Swedfund é “reduzir a pobreza através de investimentos sustentáveis em países em desenvolvimento” (1).
Ela financia e desenvolve negócios que contribuem para crescimento sustentável, geração de empregos e acesso a produtos e serviços essenciais (2).
Esse tipo de fundo mostra o perfil de atuação que pode se manifestar também em listas de investimentos selecionados durante ou após a COP-30 — ou seja, fundos de mescla público-privada que avaliam projetos com foco em impacto social, equidade e sustentabilidade.

2. O ODS 18
O Brasil tem liderado uma mobilização para o reconhecimento, pela Organização das Nações Unidas, de um novo Objetivo de Desenvolvimento Sustentável — o ODS 18 — dedicado à igualdade étnico-racial. Esse fato ganha força no contexto de o país sediar a COP-30, o que pode impulsionar o debate e abrir caminho para o reconhecimento formal da igualdade racial como dimensão legítima de impacto social — ao lado da igualdade de gênero.
Isso tem implicações diretas para projetos culturais e sociais voltados à valorização das populações negras, indígenas, quilombolas, latino-americanas e demais povos historicamente afetados pela escravidão e pela discriminação étnica. Reconhecer esse ODS seria um passo histórico de reparação e de fortalecimento das políticas afirmativas globais.

Para além da mobilização política, existe o Observatório ODS 18 – Igualdade Étnico-Racial, que reúne dados, metas e indicadores sobre esse objetivo proposto (3).
Conforme o documento de “Metas e Indicadores” do ODS 18, este novo objetivo “visa eliminar o racismo e a discriminação étnico-racial contra povos indígenas, afrodescendentes e outros grupos populacionais afetados por múltiplas formas de discriminação” (4).
Entre as metas já definidas estão:

  • a inclusão de dados desagregados por raça/etnia nos diferentes contextos de vulnerabilidade (5);

  • e a promoção de representatividade equitativa de povos indígenas e afrodescendentes nas instâncias institucionais (5).
    Para quem atua no campo cultural e de impacto social, esse ODS representa uma nova lente de análise e de articulação — por exemplo: projetos que fomentem equalização de oportunidades, reconhecimento cultural, memória histórica, participação democrática etc., podem se posicionar dentro dessa agenda.

3. O Relatório Luz e as plataformas do IPEA e do IBGE
Por fim, é fundamental acompanhar as ferramentas que monitoram o avanço dos ODS no Brasil. O GT Agenda 2030 (Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030) elaborou o Relatório Luz da Sociedade Civil sobre os ODS no Brasil, uma das principais fontes de diagnóstico independente sobre os ODS no país (6).
Entre as organizações da sociedade civil que participam desse grupo, destacam-se: Fórum Brasileiro de Economia Solidária, Geledés Instituto da Mulher Negra, Impact Hub, Instituto Physis – Cultura & Ambiente e Oxfam Brasil (7).
Além do Relatório Luz, há a plataforma pública Dados GT Agenda 2030, que reúne e disponibiliza indicadores e informações das OSC no monitoramento dos ODS (8).
E completam o conjunto as bases de dados oficiais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que oferecem indicadores sociais, econômicos e ambientais fundamentais para quem elabora projetos de impacto e busca evidências de resultado.
Essas informações são indispensáveis para gestoras e gestores culturais — e para todos os comprometidos em demonstrar o impacto social da cultura de forma consistente e baseada em evidências.


Referências

(1) SWEDFUND. About Swedfund. Estocolmo: Swedfund International AB, 2024. Disponível em: https://www.swedfund.se/en/about-swedfund. Acesso em: 12 nov. 2025.

(2) SWEDFUND. Our goals for creating sustainable value. Estocolmo: Swedfund International AB, 2024. Disponível em: https://www.swedfund.se/en/about-swedfund/our-goals. Acesso em: 12 nov. 2025.

(3) OBSERVATÓRIO ODS 18 – IGUALDADE ÉTNICO-RACIAL. Apresentação. 2024. Disponível em: https://observeods18.com.br/apresentacao/. Acesso em: 12 nov. 2025.

(4) OBSERVATÓRIO ODS 18 – IGUALDADE ÉTNICO-RACIAL. Metas e indicadores. 2024. Disponível em: https://observeods18.com.br/metas-e-indicadores/. Acesso em: 12 nov. 2025.

(5) BRASIL. Secretaria-Geral da Presidência da República – Câmara Temática ODS 18: Igualdade Étnico-Racial. Brasília, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/secretariageral/pt-br/cnods/camara-tematica/ods-18-igualdade-etnico-racial/CARTILHAMETAS_INDICADORES_ODS18.pdf. Acesso em: 12 nov. 2025.

(6) GT AGENDA 2030 – GRUPO DE TRABALHO DA SOCIEDADE CIVIL PARA A AGENDA 2030. Quem faz. 2024. Disponível em: https://gtagenda2030.org.br/quem-faz/. Acesso em: 12 nov. 2025.

(7) GT AGENDA 2030. GT Agenda 2030 dá boas-vindas à Oxfam Brasil. 2019. Disponível em: https://gtagenda2030.org.br/2019/10/15/gt-agenda-2030-da-as-boas-vindas-a-oxfam-brasil/. Acesso em: 12 nov. 2025.

(8) DADOS GT AGENDA 2030. Plataforma de dados da sociedade civil sobre os ODS no Brasil. São Paulo: Artigo 19, 2024. Disponível em: https://dadosgtagenda2030.artigo19.org/. Acesso em: 12 nov. 2025.

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