A Ferida Exposta e o Poder Simbólico da Cultura
O Brasil não é apenas um país marcado por desigualdades econômicas, é uma nação onde a violência, a discriminação e a exclusão estrutural deixaram cicatrizes profundas no tecido social. Em 2024, forças policiais brasileiras mataram quase três vezes mais do que as de 15 países do G20 juntos, sendo 82,7% das vítimas pessoas negras (GTSC A2030, 2025). Num país onde o acesso à justiça permanece privilégio de poucos e onde as instituições ainda lentamente constroem sua legitimidade perante os grupos historicamente marginalizados, o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16, que visa “promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas”, se revela não apenas urgente, mas existencial.
Diante desse cenário, artistas, gestores culturais e educadores que atuam nas brechas que o Estado não alcança precisam ser reconhecidos como agentes estratégicos. Como aponta a UNESCO (2019), “a cultura é um motor e um facilitador das dimensões econômica, social e ambiental do desenvolvimento sustentável”, e sua contribuição para a construção de sociedades pacíficas e justas é tão real quanto mensurável. Este artigo é um argumento estruturado e documentado para que gestores culturais compreendam de que forma suas ações se conectam diretamente às metas do ODS 16, munindo-os de indicadores e exemplos concretos para demonstrar esse impacto.
1. O ODS 16 e as Metas Estratégicas para o Setor Cultural
O ODS 16 abarca uma amplitude de metas que, à primeira vista, pareceriam distantes do universo das artes. No entanto, o Brasil realizou adequações nas metas globais, sob coordenação do IPEA, que tornam explícita a conexão entre a ação cultural e o cumprimento do objetivo. Para fins deste artigo, destacamos as metas de maior ressonância com o setor criativo:
Meta 16.1 (Redução da violência): Adequada pelo Ipea para incluir “a redução de 1/3 das taxas de feminicídio e de homicídios de crianças, adolescentes, jovens, negros, indígenas, mulheres e LGBT” (IPEA, 2019). A cultura de paz é condição prévia e simultânea à queda dos índices de violência, e sua construção passa inevitavelmente por narrativas, afetos e expressões artísticas.
Meta 16.3 (Acesso à justiça): Voltada a garantir a igualdade no acesso a mecanismos de resolução de conflitos. A arte e a educação cultural podem funcionar como tradutores entre comunidades vulnerabilizadas e as linguagens formais das instituições jurídicas.
Meta 16.6 (Instituições eficazes e transparentes): Busca desenvolver instituições responsáveis em todos os níveis. Programas culturais que promovem a ética, a transparência e a participação ativa de cidadãos contribuem diretamente para o fortalecimento dessa meta.
Meta 16.7 (Tomada de decisão inclusiva e representativa): Propõe que cargos públicos e processos decisórios reflitam a diversidade da população: por sexo, raça, deficiência e outros marcadores. Projetos culturais que promovem a liderança feminina, negra e de pessoas com deficiência são ferramentas diretas de implementação desta meta.
Meta 16.a (Prevenção da violência e combate ao crime): Visa fortalecer instituições nacionais para a prevenção da violência. Ações culturais em territórios vulneráveis, especialmente com jovens, são reconhecidas como estratégias de prevenção primária eficazes.
Meta 16.b (Políticas não discriminatórias): Promover e fazer cumprir leis e práticas que combatam a discriminação. A arte, ao nomear preconceitos e humanizar o diferente, é um dos mais potentes vetores de mudança de mentalidade coletiva.
2. Diversidade como Bem Público: A Arte que Torna o Diferente Visível
Construir uma cultura de não discriminação, conforme exige a Meta 16.b, requer, antes de mais nada, que grupos historicamente invisibilizados se tornem visíveis. E é exatamente nessa operação simbólica que a arte é insubstituível.
O projeto “Sem Fronteiras para a Cultura e a Inclusão Social“, da Laramara — Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual, realiza oficinas de música, pintura, escultura e dança para 100 pessoas com deficiência visual. Patrocinado pelo ProAC ICMS da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, o projeto articula inclusão social, desenvolvimento de pensamento crítico e sentimento de pertencimento à vida cultural. Em seus resultados esperados, destaca-se a intenção de que os “beneficiários se sintam capacitados a buscar novas oportunidades”, o que revela uma dimensão empoderadora que vai além do lazer: é uma estratégia de cidadania ativa (LARAMARA, 2025).
Da mesma forma, o Projeto “Diversidade: Ser Diferente é Legal e Eu Respeito“, vinculado ao programa Mude Sua Escola do Gênero e Educação, propõe planos de aula que estimulam o respeito às diferenças em contextos escolares formais. A educação para a diversidade, quando mediada pela linguagem artística e lúdica, alcança dimensões afetivas que a instrução normativa pura não consegue tocar, e é nesse nível emocional que as discriminações se formam e onde, portanto, podem ser desfeitas.
Como sublinha a UNESCO (2019) em seu Indicador 18 (Cultura para a Coesão Social), uma sociedade que investe em projetos culturais que celebram a diversidade não apenas cumpre uma meta de direitos humanos: ela constrói o tecido social que torna as instituições legítimas e funcionais.
3. Memória, Identidade e Paz: O Projeto Filhos da Terra como Instrumento do ODS 16
Há uma violência que antecede todas as outras: a violência do apagamento. Quando um povo não se reconhece na história que lhe é contada, quando suas festas, rituais e saberes são tratados como folclore periférico ou como exotismo tolerado, a desumanização já começou. É contra esse apagamento que o Projeto Filhos da Terra — Diversidade e Cultura (Brasília, DF) ergue sua câmera e sua metodologia.
Desde 2015, o projeto realiza pesquisa e documentação audiovisual continuada da cultura popular brasileira e também de países historicamente ligados ao processo de colonização do Brasil, como Portugal e Angola. Sob a direção do fotógrafo e pesquisador Eraldo Peres e com coordenação de pesquisa da professora Angélica Madeira (UnB e IRB), o projeto já percorreu mais de 19.500 quilômetros, mapeou mais de 100 festas e produziu mais de 20.000 registros visuais de manifestações da cultura popular brasileira (FILHOS DA TERRA, 2026).
Um Inventário Vivo da Diversidade Brasileira
A metodologia do Filhos da Terra é inspirada nos processos do Inventário Participativo do Iphan e nas recomendações de salvaguarda da UNESCO, e se organiza em cinco fases: pesquisa bibliográfica, levantamento referencial cultural, escolha participativa do bem cultural, documentação em campo (ensaios fotográficos, entrevistas, depoimentos em vídeo e fichas de inventário) e sistematização editorial em Cadernos de Pesquisa, Narrativas Visuais, Multimídias e a plataforma Rede Cultura Game (FILHOS DA TERRA, 2026).
Os doze Cadernos de Cultura — disponibilizados gratuitamente para estudantes e escolas públicas — cobrem manifestações que atravessam a diversidade étnica, religiosa e territorial brasileira: a Festa de Yemanjá, o Maracatu Rural, a Congada, a Romaria Kalunga, o ritual indígena Wyra ‘Uhaw da Menina-Moça, a Marujada (Celebração do Santo Preto), entre outros. Em palavras da pesquisadora Angélica Madeira:
“Os Cadernos de Viagem tornam acessível ao grande público o resultado de uma pesquisa que registra e interpreta, por meio de fotografias, textos e música, festas e celebrações enraizadas em um Brasil profundo, o Brasil frequentado por uma parte do povo brasileiro, pouco conhecida pelas populações urbanas.” (MADEIRA apud FILHOS DA TERRA, 2026)
Conexão Direta com o ODS 16
A contribuição do Filhos da Terra ao ODS 16 opera em ao menos três dimensões simultâneas:
1. Combate à discriminação (Meta 16.b): Ao documentar e dar visibilidade às tradições de povos indígenas, comunidades quilombolas (como os Kalunga), afro-brasileiras e mestiças, o projeto contraria ativamente a lógica do apagamento cultural que alimenta o racismo estrutural. Um povo que se vê representado com dignidade e profundidade desenvolve o reconhecimento do outro como sujeito de direitos, fundamento psicológico e social da não discriminação.
2. Fortalecimento de identidades para a paz (Meta 16.a): Inspirado na obra O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro, o projeto organiza sua pesquisa em Rotas Culturais — da Costa Atlântica, dos Sertões, da Mineração, dos Povos da Mata e Raízes, que evidenciam os processos históricos de formação do Brasil. Esse olhar estruturado sobre a origem comum dos brasileiros é, em si, uma pedagogia da paz: ao compreender que indígenas, africanos e europeus formaram juntos a identidade nacional, jovens em contextos de vulnerabilidade encontram referências positivas de pertencimento que competem com as narrativas de violência e exclusão.
3. Acesso à informação e liberdades fundamentais (Meta 16.10): O projeto recebeu o apoio formal da UNESCO (carta BRA/REP/05-0863/2010), que reconhece sua afinidade com os princípios de “preservação da memória e valorização do patrimônio imaterial”. Toda a coleção de Cadernos está disponível sob Licença Creative Commons para uso educacional e de pesquisa, e a Rede Cultura Game transforma os conteúdos em ferramentas pedagógicas interativas para estudantes e professores. Em março de 2026, o projeto iniciou o Circuito de Educação Patrimonial em escolas públicas do Distrito Federal, levando cultura popular e tecnologia diretamente às salas de aula (FILHOS DA TERRA, 2026). Em outubro de 2025, uma coleção inédita foi celebrada no Museu Nacional da República, ampliando ainda mais o alcance público do acervo.
O projeto foi ainda finalista do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade (IPHAN, 2019), maior reconhecimento nacional na área de preservação do patrimônio cultural, atestando a robustez metodológica e o impacto efetivo de sua atuação.
Como afirma o próprio projeto: “É preciso conhecer e refletir, para assim poder valorizar e preservar” (FILHOS DA TERRA, 2026). Essa sentença, aparentemente simples, encerra uma pedagogia política: a preservação cultural é um ato de resistência democrática, e a resistência democrática é o fundamento de qualquer sociedade pacífica e justa.
4. Liderança, Representatividade e Governança Justa: A Cultura como Espelho e Escola
A Meta 16.7 é uma das mais ambiciosas do ODS 16: garantir que os processos de tomada de decisão sejam “responsivos, inclusivos, participativos e representativos”. No Brasil, onde 53,5% da população se autodeclara preta ou parda e as mulheres constituem mais da metade dos brasileiros, mas ambos os grupos seguem sub-representados em cargos de liderança, esta meta é ao mesmo tempo diagnóstico e desafio.
As iniciativas Women in Focus (WiF) e Black as Manager (BaM) da PwC Brasil ilustra como o setor privado pode utilizar metodologias de desenvolvimento humano (rodas de conversa, mentoria e formação de lideranças) para construir governança mais justa e representativa. Lançados em 2025, os programas reúnem mulheres, pessoas negras e membros da comunidade LGBTQIAPN+ em trajetórias de capacitação gerencial, com a participação ativa de sócios como mentores. A pesquisadora e ativista Cida Bento, convidada para o evento de lançamento, resumiu com precisão o que está em jogo:
“As lideranças precisam conhecer sua história, a história da instituição e da transformação possível. É preciso estranhar o autoritarismo, estar presente e usar o poder de decisão que se tem.” (PwC BRASIL, 2025)
Embora este seja um exemplo corporativo, ele aponta para uma metodologia replicável no setor cultural: festivais, fóruns, editais e conselhos de cultura que adotam critérios explícitos de paridade racial e de gênero em sua composição e curadoria estão implementando a Meta 16.7 na prática. Para gestores culturais, o processo de composição das equipes e dos júris já é em si um ato político alinhado à Agenda 2030.
5. Raízes Culturais e a Construção de Identidades para a Paz
A prevenção da violência, coração da Meta 16.a, não se resolve apenas com policiamento ou legislação. Ela exige a construção de identidades positivas, de senso de pertencimento e de dignidade cultural. Comunidades que se reconhecem em sua própria história têm menos probabilidade de sucumbir às narrativas de desumanização do outro que alimentam a violência estrutural.
O Projeto “Explorando as Raízes Culturais“, realizado na Escola Estadual Cândido Mariano (MS), é um exemplo direto dessa lógica. A iniciativa levou estudantes à descoberta da diversidade étnica e cultural de Mato Grosso do Sul, estado marcado pela presença de povos indígenas, descendentes de africanos e imigrantes de diversas origens, promovendo pesquisa, expressão artística e apresentações culturais que celebram essa pluralidade. Ao reconhecer no currículo escolar a contribuição dos povos originários e das populações afro-brasileiras, o projeto combate um dos fundamentos da violência simbólica: a invisibilização da alteridade (SED/MS, 2025).
6. Transparência, Ética e Participação: A Cultura que Forma Cidadãos
A Meta 16.6, ao buscar instituições “eficazes, responsáveis e transparentes”, pressupõe cidadãos que compreendam seus direitos, conheçam os mecanismos institucionais e participem ativamente da vida pública. Essa formação cidadã é, em larga medida, uma tarefa cultural.
O Instituto Aurora, por meio de seu programa dedicado ao ODS 16, produz conteúdo educativo sobre temas como a Lei de Acesso à Informação (LAI), o papel da imprensa livre, os mecanismos da Corte Interamericana de Direitos Humanos e a construção de uma cultura de paz nas redes sociais. Ao traduzir conceitos jurídicos e políticos em linguagem acessível, o Instituto demonstra que a comunicação cultural e a educação para os direitos humanos são faces da mesma moeda: ambas buscam reduzir a distância entre o cidadão e as instituições que deveriam servi-lo (INSTITUTO AURORA, 2025).
O projeto Conexões Culturais (Diamantina, MG / Recife, PE) vai além: forma Agentes Culturais nos municípios da Região Imediata de Diamantina e no Recife, capacitando produtores, artistas e estudantes para atuarem como mediadores entre as comunidades e as políticas públicas de cultura. Ao democratizar o acesso a editais e à gestão cultural, incluindo obrigatoriamente acessibilidade, intérprete de Libras e participação de grupos historicamente excluídos, o projeto cria uma nova geração de protagonistas culturais que, ao mesmo tempo, fortalecem a Meta 16.6 (instituições mais representativas) e a Meta 16.7 (tomada de decisão participativa). Como afirma a produtora Suany Dantas:
“Pernambuco possui uma produção cultural muito rica, mas vários profissionais ainda enfrentam dificuldades no acesso aos editais por falta de formação específica.” (CONEXÕES CULTURAIS, 2025)
7. Acesso à Informação e Liberdades Fundamentais: A Arte como Espaço Democrático
A Meta 16.10 propõe assegurar o acesso público à informação e proteger as liberdades fundamentais. Em tempos de desinformação sistêmica e ataques aos mecanismos de controle social, os espaços culturais se tornam zonas de resistência democrática.
Museus, bibliotecas, centros culturais, festivais e coletivos artísticos independentes são espaços de circulação livre de ideias, e é exatamente isso que a Meta 16.10 busca garantir. O teatro que encena conflitos sociais, a música que nomeia a dor de uma comunidade e a fotografia documental que registra o que o poder prefere invisibilizar são atos políticos fundamentais.
O lançamento da coleção Filhos da Terra no Museu Nacional da República (outubro de 2025) e o início do Circuito de Educação Patrimonial em escolas públicas do DF (março de 2026) são exemplos de como a democratização do acesso ao patrimônio imaterial é, também, uma forma de garantir que as liberdades culturais fundamentais não sejam apanágio de poucos — mas um direito exercido por todos.
8. Guia para Gestores: Métricas e Indicadores Cultura|2030 para o ODS 16
Para que projetos culturais sejam reconhecidos como ferramentas de implementação do ODS 16, é imprescindível que sejam monitorados com indicadores claros. A UNESCO, por meio do framework Culture|2030 Indicators (2019), propõe um conjunto de métricas temáticas que conectam a ação cultural às metas globais. Abaixo, adaptamos os indicadores mais relevantes:
| Ação para o Gestor | Indicador de Desempenho | Meta ODS 16 | Indicador Culture|2030 |
|---|---|---|---|
| Documentar e disseminar patrimônio de comunidades tradicionais | Nº de registros produzidos e acessíveis ao público; alcance digital dos materiais | 16.b / 16.10 | Indicador 14 – Conhecimento Cultural |
| Programar artistas negros, indígenas e mulheres | % de artistas de grupos sub-representados na programação | 16.7 | Indicador 21 – Participação Cultural |
| Garantir acessibilidade plena nos equipamentos | Nº de pessoas com deficiência atendidas; existência de recursos de acessibilidade | 16.7 / 16.b | Indicador 20 – Acesso à Cultura |
| Promover rodas de diálogo sobre direitos humanos | Nº de atividades de formação cidadã; alcance de público | 16.3 / 16.a | Indicador 18 – Cultura para a Coesão Social |
| Adotar critérios de paridade racial e de gênero em editais | % de projetos aprovados liderados por mulheres e pessoas negras | 16.7 / 16.6 | Indicador 22 – Processos Participativos |
| Implementar políticas internas de não discriminação | Existência de código de conduta; Nº de denúncias e encaminhamentos | 16.b | Indicador 19 – Liberdade Artística |
| Incluir educação para a diversidade na programação educativa | Nº de estudantes impactados por ações de educação para a paz | 16.a | Indicador 13 – Educação para o Desenvolvimento Sustentável |
| Produzir inventários participativos de cultura popular | Nº de bens culturais inventariados; participação das comunidades detentoras | 16.b / 16.10 | Indicador 14 – Conhecimento Cultural |
Segundo a UNESCO (2019), o Indicador 22 (Processos Participativos) deve avaliar se os mecanismos de governança cultural preveem a participação ativa de grupos marginalizados nas decisões. Um conselho de política cultural com paridade racial é um instrumento mensurável de implementação do ODS 16 e não apenas um gesto simbólico.
Convocação à Ação: A Cultura como Fundação de uma Democracia Viva
Gestores culturais, produtores e artistas: vocês não são apenas animadores da vida pública, são construtores de instituições. Cada festival que programa vozes historicamente silenciadas, cada oficina que ensina um jovem em situação de vulnerabilidade a se reconhecer como sujeito de direitos, cada expedição que registra uma festa popular antes que ela desapareça, tudo isso está pavimentando, tijolo por tijolo, o caminho para uma sociedade mais justa e pacífica.
O Projeto Filhos da Terra demonstra, com 19.500 quilômetros percorridos e 20.000 imagens produzidas, que documentar é um ato político: é dizer ao Brasil profundo que ele existe, que importa, que merece ser visto. A Laramara demonstra que incluir é ampliar o conceito de humanidade. O Instituto Aurora demonstra que informar é empoderar. O Conexões Culturais demonstra que capacitar é democratizar.
Como aponta o IX Relatório Luz (GTSC A2030, 2025), o Brasil encerrou 2024 com dados alarmantes de violência, discriminação e exclusão institucional — mas também com exemplos concretos de que a resistência cultural é possível e eficaz. O ODS 16 não é uma meta abstrata de governança. É a promessa de que nenhuma pessoa será assassinada por sua cor, que nenhuma menina será silenciada por seu gênero, que nenhum povo terá sua memória apagada.
Cumprir essa promessa é uma tarefa coletiva — e a cultura é, nessa tarefa, não um acessório, mas a linguagem pela qual a humanidade se reconhece digna de tê-la.
Mãos à obra! — e ao palco, à tela, ao microfone, à câmera e à rua.
Bibliografia
CONEXÕES CULTURAIS. Projeto Conexões Culturais: Formação de Agentes Culturais. Diamantina/Recife, 2025. Disponível em:
FILHOS DA TERRA. O Projeto — Diversidade e Cultura. Brasília: Photo Agência / FAC-DF, 2026. Disponível em:
FILHOS DA TERRA. Institucional — Diversidade e Cultura. Brasília: Photo Agência / FAC-DF, 2026. Disponível em:
FILHOS DA TERRA. Cadernos de Cultura — Coleção Completa. Brasília: Photo Agência / FAC-DF, 2026. Disponível em:
GENERO E EDUCAÇÃO. Projeto Diversidade: Ser Diferente é Legal e Eu Respeito. São Paulo, 2025. Disponível em:
GTSC A2030 – GRUPO DE TRABALHO DA SOCIEDADE CIVIL PARA A AGENDA 2030. IX Relatório Luz da Sociedade Civil sobre a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável: Brasil. Edição Gestos, 2025.
INSTITUTO AURORA. ODS 16: Cultura de Paz, Justiça e Instituições Eficazes. 2025. Disponível em:
IPEA. ODS 16 – Paz, Justiça e Instituições Eficazes. Brasília: Ipea, 2019. Disponível em:
LARAMARA. Sem Fronteiras para a Cultura e a Inclusão Social. São Paulo, 2025. Disponível em:
MADEIRA, Angélica. Texto de apresentação dos Cadernos de Cultura. In: FILHOS DA TERRA. Cadernos de Cultura. Brasília, 2026.
PwC BRASIL. Programas de Inclusão e Diversidade 2025: Women in Focus, Black as Manager e Out and Shine. São Paulo, 2025. Disponível em:
SED/MS – SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DE MATO GROSSO DO SUL. Projeto Explorando as Raízes Culturais é realizado na EE Cândido Mariano. Campo Grande, 2025. Disponível em:
UNESCO. Thematic Indicators for Culture in the 2030 Agenda (Culture|2030 Indicators). Paris: UNESCO, 2019.









